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Contribuição grátis…

Existem regras técnicas que estabelecem diferentes tipos de arborização conforme a situação na paisagem urbana

Ao ler em “O LIBERAL” desta terça-feira, 21, sobre o descaso das autoridades com relação às podas irregulares que expõe a arborização de nossa cidade a tratamento inadequado, lembro que, em novembro de 2007, escrevi artigo publicado em várias mídias onde dizia que a mangueira é um dos símbolos históricos de Belém, mas devemos considerar que, à época em que foi efetivamente empregada como elemento de arborização urbana não havia ruas asfaltadas, calçadas, linhas de transmissão de energia elétrica e telefonia, além do elevado número de construções civis e o fluxo intenso de veículos.

Nos dias atuais, vemos que o problema não é exclusivo das mangueiras, mas sim, de todas as espécies usadas na arborização de uma maneira geral, e com todos esses elementos urbanísticos presentes na atualidade, há necessidade de podas drásticas que descaracterizam as árvores completamente, pois nossos administradores sempre entenderam que a natureza deve se adequar às obras dos homens, quando correto seria que as obras dos homens se adequassem à natureza.

Existem regras técnicas que estabelecem diferentes tipos de arborização conforme a situação na paisagem urbana. Os solos, responsáveis pelo suporte físico das árvores e pelo substrato nutritivo do qual depende seu desenvolvimento, na cidade apresentam-se compactados devido ao grande número de pavimentações quenão permitem o escoamento das águas. Resíduos sólidos, despejos residenciais e industriais poluem e comprometem o solo urbano. A qualidade do ar fica comprometida pela combustão de veículos automotores e pela emissão de poluentes advindos de atividades industriais.

O cadastramento e controle das ruas e praças quanto a dimensões, localização das redes e outros serviços urbanos, identificação das árvores, data do plantio e época de poda, constituem-se importante ferramenta e possibilitam melhor planejamento, implantação e monitoramento da arborização urbana.

Nas calçadas onde existe rede elétrica as árvores devem ser espécies de pequeno porte, obedecendo aos recuos necessários, enquanto nas calçadas onde não existe a rede elétrica podem-se utilizar espécies de médio porte, adequadas à paisagem local e ao espaço disponível.

Nos locais onde os postes estão instalados no lado correto das calçadas, porém as árvores existentes estão sob a fiação, é necessária a substituição por espécies de porte adequado, mas isso deve ser efetuado intercalando-se as novas às velhas, que somente devem ser retiradas após o completo desenvolvimento das novas. Nos locais onde os postes estão instalados no lado não recomendado das calçadas, e sob a fiação há árvores de médio e grande porte, deve ser realizada a substituição por espécies de porte menor e feitas podas permanentes ou encontradas alternativas para a iluminação.

Podem-se utilizar espécies nativas ou espécies exóticas, observados os critérios técnicos e as aracterísticas das espécies. É importante a escolha de uma só espécie para cada rua, ou para cada lado da rua ou para certo número de quarteirões. Isso facilita o acompanhamento de seu desenvolvimento e as podas de formação e contenção, quando necessárias. Nos passeios, devem-se plantar apenas espécies com sistema radicular pivotante – as raízes devem possuir um sistema de enraizamento profundo para evitar o levantamento e a destruição de calçadas, asfaltos, muros de alicerces profundos, com preferência a espécies que não produzam flores ou frutos muito grandes, que sejam rústicas e resistentes a pragas e doenças, pois, não é aconselhável o uso de fungicidas e inseticidas no meio urbano; e que sejam de crescimento rápido, pois em ruas, avenidas ou nas praças ainda estão muito sujeitas ao vandalismo, sobretudo quando jovens.

Seria de bom alvitre que a Prefeitura de Belém, representada pela SEMMA, em vez de demagogicamente solicitar contribuições gratuitas pela internet, para elaboração de um projeto de arborização da cidade, contratasse empresas ou profissionais gabaritados para a tarefa, com a obrigação de assumir a responsabilidade técnica profissional pela empreitada. De qualquer maneira, fica aqui a nossa breve contribuição, grátis!

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This entry was posted on 22/09/2010 by in Blog do Nelson Tembra and tagged .

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