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ONG alerta sobre período crítico do tráfico de papagaios

Blue-fronted Amazon (Amazona aestiva) in a tre...

Image via Wikipedia

A ONG SOS FAUNA, que há 22 anos lida diretamente com os problemas relacionados ao tráfico de aves silvestres no Brasil, vem desde o começo de setembro alertando as autoridades constituídas de todas esferas sobre o período de maior incidência de tráfico de papagaios provenientes da região Centro Oeste do Brasil, principalmente o estado de Mato Grosso do Sul.

Setembro e outubro compreendem a fase de nascimento do Amazona Aestiva, popularmente conhecido como papagaio-verdadeiro, ave de ampla distribuição no cerrado brasileiro.

Desde o começo do mês de setembro, mais precisamente dia 10, já foram apreendidos nas estradas que ligam a região à capital paulista e uma ocorrência no Nordeste, exatos 1.369 filhotes desta espécie em sete apreensões, sendo que em duas delas as aves estavam com as mesmas pessoas em um período menor que 15 dias.

Para Marcelo Pavlenco Rocha, presidente da SOS FAUNA, a reincidência é comum nestes casos, pois a lei de crimes ambientais de 1998 abrandou as penas e considerou como delitos de menor potencial ofensivo os relacionados ao tráfico de espécimes nativas, criando assim a possibilidade de transacionar com a Justiça ao invés de serem processados e condenados por isso. Tal fato infelizmente estimula esta atividade criminosa.

Rocha destaca ainda que há pouco conhecimento e vontade do poder público em punir e coibir os crimes ambientais, principalmente os relacionados ao tráfico de animais silvestres, que conforme apontamentos é a terceira atividade ilícita mais vantajosa do mundo, estando atrás apenas do tráfico de entorpecentes e do tráfico de armas.

“Realizamos no dia 20 de setembro uma palestra denominada VERDES ÓRFÃO DO CERRADO, com propósito de atualização de informações sobre o momento vivido em relação ao tráfico desta espécie e convidamos mais de 20 autoridades públicas, porém nenhuma compareceu” salienta Rocha. Este descaso reflete claramente no alto índice de reincidência e também na falta de comunicação entre os órgãos que deveriam cuidar da questão.

Juliana Machado Ferreira, bióloga doutoranda da Universidade de São Paulo – USP, alerta ainda que nas apreensões realizadas nos primeiros dias de setembro são encontradas apenas espécies com menos de 10 dias de vida. O grande número leva à preocupação que não está havendo na natureza o ciclo da vida e que as populações nativas podem estar envelhecendo sem que haja a renovação, o que no futuro poderá acarretar a diminuição das populações nativas e até mesmo sua extinção. “Apesar de não haver nenhum estudo científico a respeito é algo que mereceria do poder público muito mais atenção, para que não haja risco aos ecossistemas habitados por esta espécie” salienta Ferreira.

Para Rocha, combater o tráfico de animais silvestres não é apenas realizar apreensões, de vez que o custo para manutenção em cativeiro e reintrodução dos espécimes nos seus respectivos biomas é excessivo. O poder público precisa se organizar a ponto de evitar em primeiro lugar a retirada das aves dos seus ninhos através de sérias e consistentes politicas públicas de educação ambiental nas áreas de captura, focando mudança de hábitos culturais, paralelamente realizar a devolução à natureza aqueles que foram vitimados pelo descaso, é o combate às causas e consequências do problema de forma simultânea.

Efeito “RIO”

A ONG SOS FAUNA destaca também que esperava um debate maior sobre o tráfico de aves silvestres após o sucesso do filme “Rio”, animação estrangeira dirigida pelo brasileiro Carlos Saldanha que conta a historia de um exemplar de Cyanopsitta Spixxi (ararinha-azul) em meio as mazelas do tráfico de aves na capital fluminense.

Além da abordarem à questão de forma superficial, ainda erraram ao colocar como vilão outra espécie de ave, a Cacatua Sulphurea (Cacatua-da-crista-amarela) ao invés de abordar o consumidor final, que fomenta o tráfico e força a demanda.

Rocha salienta ainda que tentou contato com os produtores do filme por diversas vezes, mas sem sucesso, que também não viu qualquer centavo do lucro do filme destinado à ações que lidam com o problema.

Para levar ao público toda dinâmica do tráfico de aves, a SOS Fauna está apoiando a produção do documentário cinematográfico “E Agora? O Tráfico de Aves Silvestres no Brasil”, que abordará de forma ampla os problemas sociais e econômicos que envolvem questão desde a captura até o maior dos problemas que é o dia seguinte das apreensões. “Não há no Brasil estrutura para cuidar e devolver à natureza as espécies vítimas do tráfico, é por isso que o Estado deve concentrar esforços em educação e sério combate nas consequências que a falta de conscientização gera” finaliza Rocha.

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This entry was posted on 02/10/2011 by in Blog do Nelson Tembra and tagged , .

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